Resenha: O Fantasma da Ópera (Gaston Leroux)

★ ★ ★ ★ ❤
Autor: Gaston Leroux
Editora: L&PM Pocket
Publicação: 1911 (original)

Se você já ouviu falar no filme musical que lançou em 2004 (uma das 8 ou 9 adaptações cinematográficas) ou do musical da Broadway, com certeza já deve ter se perguntado de onde surgiu essa maravilhosa e intrigante história. Pois bem, a história foi escrita e publicada originalmente por um escritor francês chamado Gaston Leroux.


Enredo

A história se passa na casa de ópera de Paris na França. Christine Daaé é uma órfã tanto de mãe quanto de pai (faleceram quando ela ainda era bem criança) e que, em seu leito de morte, seu pai prometeu que um “Anjo da Música” iria ao encontro dela para protege-la, guia-la e não fazer com que ela se sinta só. E foi desse jeito misterioso que ela conheceu o Fantasma da Ópera, foi exatamente dessa forma que ele se aproximou de Christine, dizendo que ele quem era o tal “Anjo da Música” enviado pelo pai dela e ele começou a ensina-la a cantar ópera. Até o dia da primeira apresentação de Christine como cantora, substituindo Carlotta que era a cantora principal, ela nunca havia visto o seu “tutor” cara a cara. Sempre escutava apenas a voz dele ecoando pelas paredes, até que o Fantasma finalmente decidiu se mostrar para ela, levando Christine aos subterrâneos da casa de ópera e é quando ele revela pra ela quem ele realmente é e porque ele se esconde (e quanto a isso, deixarei esse mistério no ar e terão que ler o livro para descobrir, rs).

Na mesma noite em que Christine se apresentou pela primeira vez como cantora, o visconde Raoul de Chagny estava em um dos camarotes e reconheceu a sua amiga de infância e sua amada. Quando ele tentou falar com ela indo no camarim da cantora, Christine também reconheceu seu amigo de infância e amado, mas ela teve que fingir que não o conhecia tão bem pois ela sabia que o Fantasma, seu “Anjo da Música” estava observando ela a todo momento e Christine também sabia que ele teria ciúmes dela. O que deixou Raoul muito bravo e magoado, porém, ele percebeu que havia alguma coisa de errado e isso fez com que ele também sentisse ciúmes de Christine, pois na cabeça dele, a moça estava escondendo alguém em seu camarim e suas suspeitas meio que foram confirmadas quando ele saiu de lá e escutou uma voz que não era de Christine atrás da porta. E isso dá o início de um triângulo amoroso bem tóxico, eu diria, mas isso será falado mais pra frente. Eu particularmente, não gostei muito de Raoul no livro, pois existe várias situações em que ele demonstra ser bem ingênuo e o personagem perde a razão durante a narrativa várias vezes.

“A pequena Lotte pensava em tudo e não pensava em nada. (…) Sua alma era tão clara e tão azul quanto seu Olhar. (…) mas gostava, acima de tudo, de adormecer ouvindo o Anjo da Música.”


Minha Opinião

O livro tem uma escrita que pode ser considerada difícil pra quem não tem um costume de ler livros “mais antigos” e não contemporâneos. Apesar disso, é uma leitura que achei bem fluída e não necessariamente demorada. O fato de Leroux ter sido um jornalista investigativo antes de abandonar a profissão e focar totalmente na carreira de escritor, foi um diferencial enorme para a escrita da narrativa, pois ele criou uma espécie de “narrador-personagem” que faz você pensar que o próprio Gaston Leroux esteja na história narrando os fatos. A narrativa não é focada apenas na visão de um único personagem. O tal “narrador-personagem” é quem conta a história a partir do que ele mesmo vê e do que lhe é contado e relatado pelos outros personagens—- seja através de um diálogo ou até mesmo através de cartas. Essa “personagem” de Leroux junta todos os fragmentos que lhe é contado ou que ele mesmo presenciou para escrever o que acontecia na casa de ópera de Paris e criou um livro cujo título do prefácio é “Em que o autor desta obra singular conta ao leitor como se convenceu de que o Fantasma da Ópera realmente existiu”. Muitas vezes você pode se pegar pensando se o livro não seria uma história verídica que pode realmente ter acontecido todos esses relatos em algum momento naquela época na casa de ópera de Paris e, na minha opinião, é isso o que torna o livro misterioso e fantástico.

Existem várias tramas paralelas a principal durante a narrativa do livro, como as discussões dos administradores e donos da casa de ópera sobre “o fantasma” existir ou não, o mistério do camarote número 5, a morte de Joseph Buquet, os chiliques da mãe de Carlotta e o seu episódio do coaxo, a queda do lustre, o desaparecimento de Christine Daaé, a ida de Raoul aos subterrâneos para salvar sua amada e a casa dos suplícios. Não entrarei em detalhes, pois estarei falando do livro todo e seria uma espécie de spoiler, apesar de que muitos desses acontecimentos estão presentes tanto nos musicais da Broadway como na versão cinematográfica mais recente.

Reforçando um pouco o que escrevi no primeiro parágrafo, se você é fã do musical da Broadway ou viu o filme de 2004 protagonizado por Gerard Butler, já vou avisando que a história original e escrita por Gaston Leroux não tem nada de muito romântico como foi mostrado nessas duas versões. A atmosfera toda da história original é muito “dark” e sinistra eu diria, que mostra as obscuridades do coração humano e muito suspense tanto para revelar quem de fato é o Fantasma da Ópera quanto para mostrar a história dele e como foi parar nos subterrâneos da ópera de Paris. Ao contrário do que o musical mostra, o “relacionamento” de Christine Daaé com o seu “Anjo da Música” é extremamente tóxico porque ele faz tudo quanto é chantagem emocional para fazer ela ficar com ele. Isso também é um pouco mostrado no musical, mas de uma maneira bem mais leve e que não chega a se comparar com a do livro. Christine também chega a fazer certos “jogos psicológicos” com Raoul sobre o relacionamento deles e até em revelar quem era aquela segunda voz em seu camarim.

Eu sou uma pessoa que sempre fui apaixonada pelos musicais da Broadway de O Fantasma da Ópera e lendo o livro com a história que o originou, foi uma verdadeira surpresa e um “soco no estômago” descobrir que uma das minhas histórias favoritas, na realidade não aconteceu originalmente como eu esperava. Mas é exatamente isso que torna o livro de Gaston Leroux uma história fascinante e genial—- mostrar que nem todo romance é apenas um romance e que nem toda história de amor é só um “mar de rosas”, também podendo acontecer coisas trágicas pelo caminho. Ler este livro fez eu ficar ainda mais encantada com os musicais, pois eu pude perceber o quão brilhantemente bem Andrew Lloyd Webber adaptou a história e que virou um showbiz mundial nas suas mãos em 1986, sendo o espetáculo da Broadway mais visto e de maior sucesso em cartaz até hoje.


Sobre o autor

Leroux era um francês que primeiro trabalhou como jornalista investigativo antes de começar sua carreia como escritor. Ele já havia escrito alguns livros, mas o livro que deu um “boom” na sua carreia literária e que o fez ficar conhecido, foi O Fantasma da Ópera que publicou em 1911. Curiosamente, o livro não fez tanto sucesso nas primeiras semanas de vendas. Porém, aos poucos foi conquistando o interesse dos franceses e se tornou um dos melhores livros de suspense, mistério, romance e até terror do século XX.

Umas curiosidades que achei interessante é que dizem que Gaston Leroux se inspirou em dois acontecimentos para escrever a história, que foi quando ele se perdeu na casa de ópera de Paris encontrando os labirintos nos subterrâneos, inclusive o lago que realmente existe, e o acontecimento da queda do ilustre na plateia que também foi verídico. Leroux também ajudou na produção e elaboração do roteiro da primeira adaptação cinematográfica de seu livro. O filme foi lançado em 1923, porém teve uma segunda versão em 1925, que é uma versão “colorida” e “falada”, digamos assim. Diferente da primeira versão que era totalmente em preto e branco e era um filme mudo. Essa adaptação de 1925 por enquanto é a única, das várias outras que teve até 2004, que é totalmente fiel ao livro.

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