Resenha: As Brumas de Avalon — Primeiro Ciclo (Marion Zimmer Bradley)

★ ★ ★ ★ ❤ 
Autor: Marion Zimmer Bradley
Editora: Planeta
Publicação: 1979 (original)

Confesso que fiquei dias pensando no que escrever para a resenha deste livro em específico desde o dia em que decidi criar um blog e instagram literários e separei os primeiros livros que iria resenhar aqui. Primeiramente porque As Brumas de Avalon contém uma história de fantasia e romance completamente diferente de tudo—- e quando digo tudo, estou me referindo a qualquer gênero literário, que eu já havia lido antes. Tanto por causa de sua narrativa e enredo, como por causa da escrita de sua autora. E segundo porque tenho a impressão de que qualquer coisa que eu escreva do livro aqui pode ser tornado como um spoiler.


Enredo

O enredo é baseado nas lendas arturianas na Inglaterra, porém, com o diferencial de que a história é contada e protagonizada pelas mulheres dessas lendas. De modo que os livros podem ser considerados um símbolo do feminismo para algumas mulheres, principalmente na época em que os livros foram publicados. A história também é um romance de formação, ou seja, se passa em um período de vários anos. Podendo ver a evolução dos personagens ao longo da história—- e que nos quatro livros tem uma duração de 50 anos, se meus cálculos estiverem corretos. E muita coisa acontece nesses anos todos, de uma forma que não da simplesmente para contar o que acontece em cada livro porque, de novo, pode ser considerado spoiler.

A história em si é basicamente a seguinte: Igraine que é filha de Viviane, Senhora do Lago em Avalon é mandada muito jovem para casar com Gorlois, o Duque da Cornualha. Segundo uma profecia, ela deveria dar a luz ao herdeiro do trono da Bretanha, pois ele seria aquele irá unir todos os povos. E nessa época da história, o atual rei estava no fim de seu reinado, pois estava muito velho. E não tendo conseguido gerar um herdeiro, o rei precisava escolher dentre seus fiéis cavaleiros alguém que pudesse governar quando ele finalmente morrer. E então, Uther Pendragon é escolhido como o próximo rei, fazendo com que Gorlois fique do seu lado. Em paralelo a isso, Igraine percebe que se apaixonou por Uther e ele por ela, o que a leva a crer que se ela é destinada a dar um herdeiro para o próximo rei, por que que Viviane não a mandou para Uther e sim para Gorlois? Aí começa um dos questionamentos do livro, Igraine tendo nascido em Avalon e sendo filha da Sacerdotisa Suprema da ilha, ela não crer muito nas coisas que uma Sacerdotisa normalmente acreditaria e ela começa a questionar Viviane sobre o que era certo e errado, sobre seu destino e inclusive sobre sua religião. Igraine tem uma filha com Gorlois, que é a Morgana, principal narradora da história e é a personagem que você mais ver evoluir durante todos os anos que se passaram. Conhecida como Morgana das Fadas, ela foi levada ainda bem jovem para Avalon e foi treinada para ser a próxima Senhora do Lago depois de Viviane.

Avalon é uma ilha cercada por brumas mágicas que a esconde e que garotas e garotos vão para lá, ainda muito jovens, para aprender sobre a religião da Deusa e serem Sacerdotisas e Druídas. E essa ilha secreta (que na real, não é tão secreta assim) supostamente fica na Bretanha (Inglaterra), tudo começa a acontecer um pouco depois da queda do Império Romano e é um tempo também em que o cristianismo começou a ficar forte pela Bretanha fazendo com que os ritos pagãos, que eram muito praticados na época, fossem diminuídos ou até mesmo proibidos em algumas regiões. Isso na história do livro, é lógico. A religião é um dos assuntos mais abordados dos livros e principalmente, a intolerância religiosa. Mas falarei disso mais para frente.

Quando Igraine finalmente se casa com Uther (depois de uma série de acontecimentos que não explicarei aqui, pois, será spoiler), ela dar a luz a Arthur e ela, sendo uma mulher tão apaixonada pelo marido que se torna uma cristã devota por causa dele. Morgana passa um tempo cuidado de seu meio irmão Arthur antes de partir para a ilha de Avalon. Até vê-lo de novo anos depois, com a morte de Uther Pendragon e Arthur sendo o herdeiro do trono, é dado início a sua coroação e com ele, o Grande Casamento, que é uma espécie de ritual pagão sagrado em que o futuro rei deverá provar e vencer o Gamo-Rei e depois se deitar com a imagem e semelhança da Deusa, que seria interpretada por Morgana já que ela quem vai ser a próxima Senhora de Avalon. Durante o ritual, Arthur e Morgana reconheceu um ao outro, mas o que está feito está feito. Os meio irmãos tiveram “uma noite de amor” por assim dizer na cerimonia, como é feito no ritual, e eles não tiveram culpa porque só reconheceram um ao outro depois do ato. Caso você tenha algum gatilho com incesto, já vai um aviso de que existe um, mesmo que não seja intencional. Isso causa uma certa revolta em Morgana contra sua senhora Viviane, pois ela sempre viu Arthur como seu irmãozinho e lógico que ela nunca queria ter feito isso e o que causa também uma gravidez indesejada na jovem. Um filho do seu próprio irmão, porém isso é considerado sagrado, uma Sacerdotisa gerando um filho concebido no Grande Casamento. Isso também faz surgir uma segunda profecia mais pra frente na história.

“O que será do Gamo-Rei quando o jovem Gamo crescer?”


Minha Opinião

A primeira vez em que tentei ler As Brumas de Avalon, foi há quase dez anos atrás quando eu tinha uns 12 ou quase 13 anos de idade. Minha mãe havia lido os quatro primeiros livros do Ciclo de Avalon na sua adolescência, e resolveu me presentear com o primeiro livro da série cujo título é A Senhora do Lago. Devo admitir que lendo os primeiros capítulos na época, a leitura não me cativou muito pelo simples fato de que eu apenas não estava preparada para ler tal história e os motivos disso serão explicados quando eu for escrever sobre a história e enredo e o quão importante ele foi para mim. A leitura de As Brumas de Avalon, além de ser bem fluída e rica em detalhes, é uma daquelas que realmente mexe com o leitor e o faz pensar diversas coisas sobre a vida e principalmente sobre intolerância. Sinceramente, eu agradeço não ter lido os livros dessa série quando eu era bem jovem, pois não sei se a veria com os mesmo olhos que vejo hoje. E acredite em mim quando digo que é o tipo de história que faz você abrir os olhos para muita coisa.

Ao meu ver, existem duas personagens que considero “os extremos” da história: Gwenhwyfar que é o tipo da personagem que faz você ter um pouco de raiva de vez em quando durante a leitura. Eu tive várias vezes, pelas minhas próprias razões religiosas e sempre tive uma curiosidade pela religião pagã. Sendo uma cristã muito devota e apaixonada por Lancelote (e ele por ela), mão direita e melhor amigo de seu rei e marido. Os dois escondem os sentimentos um pelo outro, apesar de que toda a corte sabe que eles escondem essa paixão, esse amor proibido. Inclusive Arthur.

Apesar de Gwenhwyfar ser uma personagem “muito chata” com seus discursos religiosos sobre a sua própria religião ser “a certa” e todas as outras serem “as erradas”, ela é uma personagem fundamental justamente para discutir e fazer pensar o quão desagradável é a intolerância religiosa. E o outro extremo seria a própria Morgana pelo simples fato de que ela é uma mulher que vai contra tudo o que é esperado de uma mulher na época dela, justamente por ter vivido em Avalon.

Dentre muitas coisas que acontece, no livro também estão presentes os Cavaleiros da Távola Redonda e a busca pelo Santo Graal. E eu acho que mais do que isso não posso escrever sobre o enredo, porque realmente é muita coisa que acontece durante os 50 anos que se passa a história.

Os livros, são quatro do primeiro ciclo de Avalon, trazem uma série de questionamentos sobre religião e você consegue perceber que muitas das personagens e isso inclui os personagens masculinos, estão numa espécie de busca espiritual. E é exatamente isso do que se trata essa fantástica história. Uma jornada em busca de respostas em um mundo em que você é obrigado a esconder o que realmente é e no que acredita. Lembra quando eu disse que esses livros me abriram os olhos para muita coisa? Isso porque ele diz que cada um tem o seu próprio caminho a seguir e acredito que todos nós estamos numa espécie de busca, seja ela espiritual ou como pessoa mesmo. Espero que esse livro tenha ensinado muitas pessoas que o que elas acreditam como religião, não quer dizer que as outras pessoas devam acreditar também, pois cada ser humano é diferente e tem sua própria visão de mundo.


Sobre a autora

Marion Zimmer Bradley foi uma escritora norte-americana de romances, sobre fantasia e ficção, conhecida principalmente pelas séries As Brumas de Avalon e Darkover. Faleceu em 1999, deixando a gigantesca série do ciclo de Avalon inacabada e fazendo com que sua melhor amiga e cunhada Diana L. Paxson assume a autoria dos livros.

2 comentários sobre “Resenha: As Brumas de Avalon — Primeiro Ciclo (Marion Zimmer Bradley)

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