Resenha: A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)

★  ★  ★  ★  ☆  
Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
Publicação: 2010

Diferente das outras resenhas escritas até agora, essa talvez seja a primeira em que irei falar sobre alguns pontos que não me agradaram muito durante a leitura. Porém, não se enganem! O fato de um livro ter pontos negativos não o faz um livro ruim e é uma coisa mais do que lógica cada um ter suas preferências de leitura, de gostar ou não delas e cada uma possuindo seus pontos positivos e negativos.


Enredo

Contando um pouco da história, A Batalha do Apocalipse recria os eventos da criação—- os seis dias que Deus levou para criar o mundo, tendo adormecido logo em seguida com o sétimo dia ainda acontecendo e quando ele despertar, será o dia do Juízo Final. Enquanto Deus está adormecido, o arcanjo Miguel é encarregado de comandar o Céu e cuidar da Haled e os seres humanos. Porém, ele tem uma certa inveja e raiva dos humanos e esse ódio faz com que o arcanjo crie catástrofes e desavenças terrenas para tentar exterminar a raça humana que o seu criador fez.

Assim como existem anjos como Miguel que odeiam os seres humanos, também existem anjos que perceberam o que o arcanjo estava fazendo e foram completamente contra a ideia de destruir algo que o próprio criador ama e isso gerou uma rebelião no Céu que terminou com a vitória do arcanjo Miguel e com a expulsão desses anjos para a Terra, sendo agora considerados Anjos Renegados. No Céu também houve uma outra rebelião comandada pelo arcanjo Lúcifer, A Estrela da Manhã, que não estava nada satisfeito em ver Miguel no comando. Porém, também saiu derrotado e como punição, Lúcifer e seus seguidores foram expulsos e mandados para o Inferno.

E finalmente, a história nos apresenta a Ablon, protagonista e um dos anjos renegados que passou milhares de anos sendo caçado, tanto por seguidores de Miguel quanto de Lúcifer, desde a sua queda na Terra. Com os humanos estando em guerra e com fortes desavenças entre si, isso faz com que o renegado perceba (assim como outros seres) que “os selos do apocalipse” estão se quebrando e que o despertar de Deus, assim com o Juízo Final, está próximo. Então, Ablon e alguns aliados decidem deter esse próximo extermínio da raça humana.

“Acreditar no impossível é a chave para entender os segredos do universo.”


Minha Opinião

A Batalha do Apocalipse tem um enredo que eu curti bastante principalmente o universo que o Eduardo Spohr criou—- ele não necessariamente criou no sentido literal da palavra, até porque, muita coisa e personagens foram tiradas da bíblia, passando pelos grandes eventos da religião cristã com uma nova perspectiva. Deu para perceber o cuidado que o autor teve em pesquisar sobre anjos e demônios, a história da criação do mundo e pegar tudo, juntando numa base para criar a sua própria. Porém, lendo o livro eu fiquei um pouco incomodada com a escrita do autor e com a estrutura da história também.

O incômodo que senti durante a leitura foi que pareceu ter um excesso de “palavras difíceis” e ao meu ver, as vezes sem necessidade. O que fez com que eu demorasse mais do que o normal pra terminar um livro, o fato de eu ter lido em ebook meio que dificultou um pouco as coisas e também em algumas partes, Spohr parecia demorar muito para descrever algo que as vezes eu ficava um pouco perdida com o que estava acontecendo. Uma outra coisa também, é que o autor usou várias vezes (e foram várias mesmo) uma única palavra para descrever diversas coisas durante o livro. Com relação a estrutura, existe alguns capítulos de flashbacks, que são necessários para explicar certas coisas da história, mas as vezes eu tinha a impressão de que os capítulos de flashback eram maiores do que os capítulos de acontecimentos presentes e isso também fez com que eu ficasse perdida quando voltava para o presente e não me lembrava muito do que estava acontecendo no livro.

Agora falando do que me agradou no livro, eu já mencionei que gostei muito da história, apesar de ter tido um pouco de dificuldade com a leitura. Porém, Eduardo Spohr foge dos padrões que muitas histórias de livros relacionadas com anjos e demônios e o apocalipse tem, que é um dos personagens principais sempre ser “um ser de outro mundo” e a outra personagem ser uma humana que muitas vezes fazem par romântico e salvam o mundo juntos.

Em A Batalha do Apocalipse não tem isso (apesar de ainda existir um romance)—- basicamente quase todos os personagens são seres de outro mundo, anjos e demônios, feiticeiros, civilizações antigas com poderes obscuros e segredos poderosos. Outra coisa que me agradou muito foi o cuidado que o autor teve em criar o seu “universo literário”, explicando as castas tanto dos anjos como dos demônios e como as coisas funcionam no Céu e no Inferno, o que cada ser faz e como isso influencia na Haled, como chamam a Terra (ou plano terreno).

Apesar de eu ter lido o livro em ebook, o fato dele ter uma espécie de índice com os capítulos e uma lista da ordem cronológica dos acontecimentos tanto da história cristã como a do próprio Eduardo Spohr, muitas vezes juntando as duas, ajudou muito para que eu pudesse me situar na narrativa que em muitas partes do livro, me deixou perdida. A história também conta com a trilogia Filhos do Edén como um prequel (ou prequela) e que será resenhada aqui no blog em breve.


Sobre o autor

Eduardo Spohr é um jornalista, escritor, professor, blogueiro e podcaster brasileiro, participando do podcast Nerdcast do site Jovem Nerd. Embora não tenha uma religião, o contato de Spohr com diversas culturas e a iminência de conflitos na Guerra Fria durante sua juventude, o motivaram a escrever sobre o fim do mundo e religião no livro A Batalha do Apocalipse, situando a trama em várias civilizações antigas.

Já como colaborador do blog Jovem Nerd ao participar do podcast Nerdcast, publicou seu livro na Nerdstore, loja virtual da página, pelo selo NerdBooks, por meio da qual vendeu mais de quatro mil exemplares, ainda sem amparo de editoras. Em junho de 2010, o Grupo Editorial Record publicou A Batalha do Apocalipse pelo selo Verus, vendendo até dezembro do mesmo ano, 50 mil cópias.

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