Resenha: A Casa da Floresta (Marion Zimmer Bradley)

★ ★ ★ ★ ☆  
Autora: Marion Zimmer Bradley
Editora: Planeta
Publicação: 1993 (Original)

Estamos aqui com mais um livro de Marion Zimmer Bradley, autora do best-seller As Brumas de Avalon que fez muito sucesso quando foi publicado na década de 80 e temos uma resenha do Primeiro Ciclo aqui no blog. Este é o livro que vai explicar e mostrar como a famosa Ilha de Avalon surgiu e o porque que ela é importante para as sacerdotisas, druidas e para aqueles que buscam a sabedoria e cura ancestral.


Enredo

A Casa da Floresta se trata basicamente de um amor proibido entre uma moça bretã e neta do arquidruida da época, chamada Eilan, com um rapaz romano e cuja mãe também era bretã chamado Gaius. A história é focada nesses dois personagens e também nas pessoas ao seu redor, assim como o que passa com os bretões e os romanos durante a narrativa.

O livro começa com a atual grã sacerdotisa da época, chamada Illiannon, tendo um sonho em que ela relembra um massacre que aconteceu anos trás em que, romanos invadiram o Santuário de Mona e mataram a maioria dos druidas e bardos que haviam lá e estupraram todas as sacerdotisas, incluindo garotas bem jovens e até crianças que estavam sendo abrigadas lá. Illiannon não estava presente no massacre, pois ela tinha viajado junto com o arquidruida Ardanos e quando eles descobriram isso, os dois ficaram muito revoltados porque havia um povo completamente estranho invadindo a Bretanha e fazendo do povo deles escravos ou o que os romanos bem entendessem.

Vale citar que a época que passa o livro é justamente quando os romanos começam a invadir a Bretanha. Tomando alguns bretões (que os romanos consideravam bárbaros) como escravos para as minas e isso fez com que Illiannon e Ardanos fossem obrigados a criar uma espécie de “aliança” com os romanos para tentar manter a paz entre os dois povos e proteger as sacerdotisas e druidas. Por causa do massacre de Mona, foi criada uma “sociedade secreta” chamada Os Corvos (tem um livro do Ciclo explicando sobre isso “Os Corvos de Avalon”) em que eles são os filhos de homens romanos com as sacerdotisas que foram estupradas e juraram vingança para o seu povo. O santuário também foi mudado de lugar sendo agora chamado de A Casa da Floresta que seria a nova Casa das Donzelas das sacerdotisas e não, ainda não é Avalon. Também por causa do massacre, o arquidruida foi obrigado a criar “leis” para as sacerdotisas como uma forma de protege-las dos romanos e evitar que o mesmo acontecimento se repetisse.

Voltando para o casal principal do livro, Eilan e Gaius se apaixonam mesmo sabendo das origens do outro. Porém os pais de ambos não permitem que eles se casem justamente por causa disso. Então, seguem caminhos separados, Eilan virou uma sacerdotisa e Gaius teve que aceitar um casamento arranjado com uma romana e continuar nas suas obrigações militares. Apesar da distância, o destino sempre dava um jeito de fazer os dois se verem nos festivais de Beltane e de acordo com a profecia da Deusa, é o amor deles e o que resultou disso que começará todo um processo da união de dois povos e de duas tradições que vimos nos livros As Brumas de Avalon. Eilan e Gaius chegaram a ter um filho, chamado Gawen, que representa justamente essa união e depois que eles morreram, a futura grã sacerdotisa Caillean leva o menino junto com 12 sacerdotisas para uma ilha cercada de brumas que será a famosa Ilha de Avalon.

Talvez isso seja uma espécie de spoiler, mas você deve se lembrar que no terceiro livro de As Brumas de Avalon, uma parte dessa história é contada de como a primeira grã sacerdotisa de Avalon chegou na ilha e que a grã sacerdotisa anterior havia sido queimada por ser considerada uma traidora para com seu povo.

“Se não posso me casar com o homem que amo, então permita que eu dê meu amor à Deusa.”


Minha Opinião

Este é o livro que apesar de ter como foco principal um romance proibido, para mim, ele foi muito mais do que isso. É a história em que se pode dizer, que é “os primórdios” de Avalon e não só do porque o Santuário da Deusa teve que ser mudado de novo, mas pelo fato de que ele mostra com mais detalhes como é a vida de uma sacerdotisa na Casa das Donzelas. Isso para mim foi o que me ganhou no livro.

A narrativa é bem parecida com a de As Brumas de Avalon, apesar de ter sentido uma leve diferença na escrita por causa da co-autoria de Diana L. Paxson. O foco entre duas personagens principais e o que acontece ao redor delas, ainda é bem presente. E apesar de ter “o romance proibido”, eu não conseguia imaginar Eilan e Gaius juntos. Talvez por já saber do destino de Eilan por causa do que é contado em As Brumas de Avalon, o que não é algo ruim, mas fez com que eu sempre esperasse que algo de ruim iria acontecer com os dois.

Na história, talvez nos deparamos com a primeira profecia de Avalon. O nascimento de uma criança que irá da o início a uma série de outras profecias, todas em pró da paz na Bretanha e a união entre seus povos, independente das religiões que seguem. Porém, as vezes dava uma impressão de que o livro estava “se arrastando” muito em alguns capítulos. E confesso que não entendi a súbita mudança no interesse amoroso de um dos personagens principais e depois voltou para “o romance” principal apenas para concluir a tragédia no final.

A Casa da Floresta, assim como As Brumas de Avalon, é uma obra que continua a abordar questões de intolerância religiosa. Ainda que não foi tão presente assim como nos quatro primeiros livros do Ciclo. Ambos escrita e narrativa foram desenvolvidas muito bem em vários aspectos e não foi a toa que na época de sua publicação (1993), se tornou um livro bastante popular.

Um fato muito curioso é que a Editora Planeta, que é a responsável por estar publicando novas edições em capas belíssimas dos livros de Marion, publicou A Casa da Floresta como sendo o segundo do Ciclo de Avalon—- a série de livros gigantesca de Bradley sobre Avalon. Mas na ordem cronológica de publicação da época da autora, A Casa da Floresta na verdade é o terceiro livro que foi lançado. O segundo seria A Queda de Atlântida com os livros Teia de Luz e Teia de Trevas. Porém, a ordem cronológica dos livros do Ciclo de Avalon é totalmente diferente da ordem de publicação a medida que Marion foi escrevendo e lançando seus livros. Existe um post aqui no blog em que você poderá ler essas duas listas cronológicas e escolher qual delas seguir com a leitura.


Sobre a autora

Marion Zimmer Bradley foi uma escritora norte-americana de romances, sobre fantasia e ficção, conhecida principalmente pelas séries As Brumas de Avalon e Darkover. Faleceu em 1999, deixando a gigantesca série do ciclo de Avalon inacabada e fazendo com que sua melhor amiga e cunhada Diana L. Paxson assume a autoria dos livros.

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